O Conselho Nacional do Ministério Público rejeitou por 9 a zero o afastamento de Paulo Gonet do caso Master e rejeitou, por 5 a 4, a abertura de um procedimento preliminar contra o procurador-geral da República para detecção de eventual conduta imprópria, que, obviamente, não aconteceu, como reconheceu até André Mendonça. Nem vou procurar os que se manifestaram em favor do que seria também uma aberração para que a minha crítica não pareça dirigida.
Gonet é um homem reto, de bem. Mas logo alguém saca o clichê sobre a mulher de César, a quem não bastava ser honesta; havia de também parecer. A frase, a rigor, nunca foi dita por ninguém. Explico tudo.
Como narra Plutarco em “A Vida de Homens Ilustres”, na edição que tenho, da Editora das Américas, Júlio César está no volume VII, o então Sumo Pontífice se separou de Pompeia, sua segunda mulher, porque uma cerimônia religiosa em homenagem à “Bona Dea” (“Boa Deusa”), realizada em sua casa, exclusivamente para mulheres, foi invadida por Públio Clódio Pulcro, fantasiado com roupas femininas. E correu o boato de que o líder estaria sendo traído.
No julgamento de Clódio, acusado de sacrilégio, o marido disse não ter provas contra o invasor, já digo por que fez isso. E lhe perguntaram por que, então, havia deixado Pompeia. Veio a resposta que gerou o clichê: “Porque penso que minha mulher tem de estar livre até da suspeita”.
