Segunda-feira tive um interessante debate com um intelectual de esquerda que, contra todas as possibilidades, dizia gostar de meus ensaios. Meu amigo Rodrigo Faria nos apresentou e fez as boas maneiras de arranjar uma ligação de vídeo para que eu fosse, ao mesmo tempo, bajulado e censurado pelo meu admirador vermelho.
No tocante aos meus escritos, seu gosto se direcionava especialmente aos textos sobre literatura e àqueles nos quais critico o modo burro por meio do qual nos relacionamos com as redes e tecnologias.
Pelo que logo percebi, ele era membro da ala raiz do socialismo, isto é, mais preocupado com salários justos e moradias do que com pronomes neutros ou adequações filosóficas a genitálias estudantis; ele me pediu, inclusive, para apresentá-lo ao Antonio Risério e me estimulou a escrever algum romance distópico do Brasil atual. Estava tudo indo muito bem, até que, por minha culpa, minha tão grande culpa, eu falei sobre as eleições.
Por algum momento, achei que ele não votaria no Lula, já que este, mesmo que com a perícia de um mamute em uma loja de taças, se vendeu completamente à pauta woke que ele parecia desprezar. Foi quando me disse que, apesar disso, inevitavelmente votaria no petista.
