Talvez o maior risco da IA não seja ela pensar como nós, mas nós pararmos de pensar sem ela.
Acho que não é novidade para ninguém que toda grande tecnologia traz junto uma discussão sobre aquilo que podemos perder quando ela começa a fazer coisas por nós.
Imagino que, quando os carros se popularizaram, alguém tenha pensado que nossas pernas iriam atrofiar.
Quando eu era criança, já existia uma discussão parecida. Ganhei meu primeiro videogame, um Atari, e lembro das conversas sobre o quanto jogar poderia atrapalhar os estudos ou prejudicar aquela geração.
Na escola, eu mesmo pensava: para que aprender a fazer conta se existe uma calculadora?
Sobrevivemos às duas coisas.
Mas agora a pergunta ganhou outra dimensão.
Para que aprender a programar se a IA programa?
Para que aprender design se ela desenha?
Para que aprender Excel se ela monta a planilha?
E, levando isso ao limite, será que em algum momento alguém vai perguntar: para que fazer uma faculdade se a IA faz isso para mim?
Pode parecer absurdo.
Hoje.
Mas, se começarmos a perguntar para que aprender, para que estudar e para que desenvolver uma habilidade se uma máquina consegue fazer aquilo por nós, talvez a discussão deixe de ser apenas sobre eficiência.
E passe a ser sobre inteligência.
Ou, provocando um pouco mais: será que estamos criando ferramentas cada vez mais inteligentes enquanto criamos condições para ficarmos um pouco mais burros?
