A defesa do ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto pediu acesso aos anexos produzidos pelo cliente na proposta de um acordo de delação premiada. Silva Neto é acusado de ter emitido R$ 1 bilhão em notas para justificar o recebimento de propina em troca de vantagens tributárias a varejistas em São Paulo.
A defesa acusa o Ministério Público de São Paulo (MPSP) de ter usado o material delatado por Silva Neto, embora não tenha fechado o acordo de delação premiada.
Máfia do ICMS: denunciados disputavam entre si para cooptar novas empresas
Ramiro Brites
Advogado preso recebia 3% em rateio da propina da Máfia do ICMS, diz MPSP
A Promotoria rebate o ex-fiscal dizendo que Silva Neto omitiu informações relavantes na proposta de colaboração, como valores que teria recebido de propina de algumas empresas, e que as provas usadas em operações posteriores à prisão dele foram obtidas de forma independente, antes da proposta de delação que não avançou.
Segundo os promotores, provas foram obtidas por meio de quebra de sigilo bancário, análise do aparelho celular de Silva Neto e declarações de imposto de renda de Kimio Mizukami da Silva, mãe do ex-fiscal apontada como laranja dele em uma empresa usada para lavar dinheiro do esquema.
Na petição, a defesa diz que precisa dos anexos para anular toda a Operação Ícaro, deflagrada em agosto do ano passado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), do MPSP.
