A reorganização das forças políticas após as eleições não deve, por si só, resultar em um ambiente mais favorável à tomada de decisões e à implementação de políticas públicas no próximo mandato. A avaliação é do cientista político Rafael Cortez, professor do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) e consultor de política da Tendências Consultoria, em participação no WW Especial, da CNN Brasil.
Segundo Cortez, mesmo em períodos considerados normais, a recomposição das forças políticas após uma eleição não costuma se traduzir automaticamente em melhores condições para a tomada de decisões. Para ele, o cenário do próximo mandato terá ainda dois obstáculos específicos: as restrições orçamentárias e a relação entre os Poderes, especialmente em torno do STF (Supremo Tribunal Federal).
“Por mais que o eleitorado, nesse momento em que ele é chamado para ter um peso nesse poder relativo que as diferentes forças políticas vão ter ao longo de um período de mandato, no caso de quatro anos, num momento em que se faz um balanço e se reaglutina as diferentes forças, mesmo em circunstâncias normais, essa reaglutinação não costuma se traduzir automaticamente num ambiente decisório mais positivo”, afirmou.
Na avaliação do professor, a questão orçamentária será um dos principais fatores a limitar a capacidade do próximo governo de direcionar recursos para áreas consideradas prioritárias. Ele destacou a necessidade de rever a rigidez do orçamento público brasileiro.
