Empresas de apostas esportivas autorizadas a operar no Brasil se preparam para recorrer à Justiça caso uma eventual proibição das bets seja oficializada. O setor avalia pedir ressarcimento das outorgas pagas para obter autorização de funcionamento, o que pode representar um custo bilionário para a União. O analista de Política da CNN Pedro Venceslau comenta o tema ao Hora H.
Segundo Venceslau, o mercado foi pego de surpresa pela possibilidade de proibição. Ele destacou que cada empresa pagou uma outorga de R$ 30 milhões para operar legalmente no país.
“Se o presidente Lula fizer uma medida provisória, ou mesmo aprovar um projeto de lei em regime de urgência, elas vão judicializar pedindo esse dinheiro de volta”, afirmou Venceslau. Com 80 bets autorizadas no Brasil, o valor total a ser ressarcido chegaria a R$ 2,5 bilhões.
A possível proibição também preocupa profundamente o futebol brasileiro. De acordo com Venceslau, a grande maioria dos times do país, de todas as séries, da A à D, possui contratos de patrocínio com empresas de apostas.
“A partir daquele dia que for oficializado isso no Diário Oficial, automaticamente os contratos deixam de existir, os patrocínios”, disse o analista, ao citar declaração do presidente do Flamengo, ouvido anteriormente.
Embora o Flamengo seja considerado financeiramente saudável, clubes das séries B, C e D dependem fortemente desses recursos para se manter.
O impacto imediato sobre os clubes mais dependentes das bets seria severo.
