O Partido dos Trabalhadores (PT) enfrenta uma fase de desgaste político e perda de capacidade de mobilização, segundo análise publicada pelo jornal francês Le Monde nesta quinta-feira (24).
A menos de duas semanas do primeiro turno da eleição presidencial, a reportagem destaca que a legenda já não consegue reunir número significativo de militantes e enfrenta dificuldades para se conectar com parcelas importantes do eleitorado.
PT: um partido “sem fôlego”
Segundo o jornal, uma manifestação convocada pelo PT em 13 de setembro para apoiar o presidente Lula da Silva reuniu apenas pequenos grupos e teve pouca repercussão. Para o Le Monde, 46 anos depois de sua fundação, o partido “parece sem fôlego”.
O desgaste também se projeta na própria estrutura partidária. O número de filiados permanece em cerca de 1,6 milhão desde 2022, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.
Rui Falcão, ex-presidente do PT, afirma que a legenda “abandonou o terreno”. Segundo ele, a antiga organização nos bairros se enfraqueceu à medida que o partido se institucionalizou e os sindicatos se burocratizaram.
Na visão do veículo, a mudança no perfil do mercado de trabalho afastou parte da base tradicional. Trabalhadores autônomos e de plataformas digitais representam cerca de um terço da população ativa e, segundo o jornal, muitos passaram a se enxergar como empreendedores, e não como trabalhadores ligados às pautas tradicionais da esquerda.
