Muito se falou, ao longo dos últimos ciclos eleitorais, sobre um suposto “apagão cívico” da juventude brasileira. A tese recorrente entre analistas e comentaristas apontava que a velocidade acelerada das telas e o imediatismo dos conteúdos efêmeros teriam gerado uma geração apática, desinteressada pelas instituições e indiferente aos rumos politicos do país.
A realidade observada neste pleito de 2026, contudo, desmente esse diagnóstico superficial. O engajamento cívico dos jovens brasileiros não diminuiu e aqui, eu digo engajamento cívico, porque é algo que vai muito além do voto; cobre a participação na vida comunitária e no bem comum. Esse engajamento, na verdade, mudou de endereço e de linguagem, encontrando novas formas de expressão e amadurecimento no ambiente digital.
Essa mudança de comportamento é comprovada empiricamente. Dados de um levantamento realizado pelo Observatório de Novas Gerações da Trope-se mostram que 87% dos jovens da Geração Z acompanham assuntos políticos pelo menos semanalmente. Longe do desinteresse, o estudo revela que oito em cada dez jovens - 80% - recorrem ao YouTube em alguma medida para se informar sobre as eleições. Esses dados colocam em xeque a ideia de despolitização e indicam uma transformação estrutural na maneira como o jovem contemporâneo constrói seu repertório cívico e toma decisões fundamentais para o futuro da nação.
