O excesso de chuvas no Centro-Sul do Brasil, além de estar dificultando a colheita da cana-de-açúcar 2026/27 também compromete a qualidade da matéria-prima, avalia Plinio Nastari, presidente da Datagro.
Embora a umidade favoreça o desenvolvimento da biomassa, o excesso de água reduz o teor de açúcar recuperável da cana, o ATR.
“Os preços reagiram, mas as usinas não conseguem produzir o açúcar que gostariam”, afirma Nastari.
A alta umidade favorece inclusive a ocorrência de pragas, como a cigarrinha-da-raiz. O inseto provoca perfurações na cana, que podem facilitar a ação de bactérias e fungos e comprometer ainda mais a qualidade da matéria-prima.
Outro problema provocado pelas condições climáticas é o tombamento da cana. Com a planta mais pesada, aumenta a ocorrência de tombamento no campo, dificultando a colheita mecanizada.
Nessas condições, a máquina tem dificuldade para fazer o desponte adequado da cana, o que aumenta a quantidade de matéria vegetal levada para a usina.
O tombamento também pode provocar enraizamento. “E mais terra é carregada junto com a cana, elevando a chamada impureza mineral. A combinação de impurezas vegetais e minerais reduz o rendimento industrial das usinas e dificulta a fabricação de açúcar”, explica.
Nastari estima que cerca de 35 milhões de toneladas de cana possam sobrar para serem processadas na próxima safra. “Esse volume será recorde, e vai superar a 24 milhões de toneladas registradas em 2015/16”, diz.
