Por décadas, o sutiã ocupou um lugar controverso no guarda-roupa feminino. Se, nos anos 1960 e 1970, a peça foi associada aos protestos feministas e à ideia de libertação do corpo, hoje ela ganha um significado diferente: deixou de ser apenas uma roupa íntima e passou a funcionar como uma peça autônoma. Nas passarelas internacionais, o movimento aparece de forma cada vez mais evidente. Em Milão, grifes como Prada e Fendi levaram o sutiã para fora da função tradicional, enquanto a Maison Margiela também explorou a peça como parte central do visual. A proposta acompanha uma tendência mais ampla observada nas coleções recentes: a valorização de produções menos rígidas, assimétricas e aparentemente imperfeitas.
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Protestos feministas
A relação entre o sutiã e o feminismo é antiga, embora parte dessa história tenha sido simplificada ao longo do tempo. A imagem de mulheres queimando sutiãs ficou associada aos movimentos feministas dos anos 1960 e 1970, mas o episódio que consolidou esse imaginário, durante um protesto contra o concurso Miss America, em 1968, nos Estados Unidos, não envolveu uma queima efetiva da peça.
