Em um mundo globalizado, o acesso ao exterior não acontece mais de maneira pontual. Desde a rotina básica de consumo diária até movimentos internacionais, o consumo do brasileiro é, em parte, dolarizado. Segundo estudos da FG-V realizado em 2024, entre 16 a 18% do consumo do brasileiro está sujeito ao câmbio, mostrando que essa relação com o exterior deixou de ser pontual e faz parte do estilo de vida.
Quando o assunto é investimentos, porém, as fronteiras são visíveis. O Brasil está entre os países em que investidores apresentam elevado home bias, expressão usada para definir a preferência por manter a concentração dos investimentos no próprio mercado. Esse percentual ainda está abaixo do que apontam estudos sobre diversificação internacional, que sugerem uma alocação entre 16% e 18% em ativos no exterior para ajudar a reduzir os efeitos da variação cambial sobre o poder de compra.
O CDI como motivador para baixa diversificação
Um dos fatores que mais influenciam a permanência do investidor brasileiro em ativos domésticos é a taxa de juros básica historicamente elevada no país. Se analisarmos a janela dos últimos 20 anos, por exemplo, a rentabilidade acumulada do CDI é de uma média anual composta de 10,25%. A depender do ano analisado, o CDI pagou taxas ainda mais elevadas - caso inclusive de 2026, que até setembro mantém um ritmo de aprox. 12,5% de rentabilidade no ano.
