Tenho quase certeza que você, leitor da GALILEU, tem uma “voz de bebê” para falar com crianças pequenas ou animais. Mesmo que muitas pessoas fiquem com vergonha de admitir, é quase natural afinar a voz e balbuciar as palavras em momentos como os que um cachorro pede carinho. O curioso é que a conversa não é só uma dose de dopamina pra gente, mas também altera a dinâmica cerebral dos cães.
Um novo estudo, publicado por pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd (Hungria), descobriu que os cérebros dos cães segmentam as falas em palavras, forma essa que anteriormente só tinha sido observada nos seres humanos. Os resultados foram publicados na revista científica Science nesta quinta-feira (24).
Isso não quer dizer, porém, que os cachorros estão prestes a aprender a falar. Na verdade, o que chamou a atenção dos cientistas não foi o fato deles serem capazes de compreender a linguagem de maneira semelhante a nós, mas de como eles são capazes de encontrar padrões e de identificar palavras. Para a ciência, a descoberta poderá esclarecer se é preciso ou não ter um cérebro exclusivamente humano para desenvolver a fala e a linguagem.
O que os cães entendem?
Para entender a descoberta, precisamos nos voltar para as palavras. Elas são formadas, principalmente, por vogais e consoantes, sendo as primeiras costumeiramente mais audíveis, enquanto as segundas têm como função dar mais estrutura ao vocábulo.
Em uma conversa normal, porém, ninguém coloca uma pausa entre uma palavra e outra.
Como a conversa altera o cérebro de cachorros, segundo este estudo
