Sara Carta é doutoranda em Ciência da Computação na Escola de Ciência da Computação e Estatística do Trinity College Dublin. O texto a seguir, escrito com Giovanni Di Liberto, foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visita.
Imagine que você está em uma festa. O salão está lotado, as pessoas vão e vêm, e você mal consegue ouvir seu amigo contando aquela fofoca suculenta sobre o encontro que ele teve na semana passada.
O fato de você ainda conseguir acompanhar o que ele está dizendo se deve ao seu cérebro, que realiza operações muito complexas em meio a todo esse barulho. Dentre todas as ondas sonoras que chegam aos seus ouvidos, ele consegue isolar com sucesso aquela que lhe interessa, enquanto filtra o restante.
Tentar entender como o cérebro faz isso tem mantido os neurocientistas auditivos ocupados desde a década de 1950, quando o cientista cognitivo britânico Colin Cherry cunhou pela primeira vez a expressão “efeito coquetel”(“the cocktail party problem”, no original em inglês).
Este efeito foi inicialmente estudado em experimentos nos quais se pedia a voluntários que ouvissem dois discursos simultaneamente - mas, depois, repetissem em voz alta apenas um deles. Cherry descobriu que os ouvintes conseguiam acompanhar e repetir a mensagem pré-selecionada com notável precisão, apesar de ambos os discursos serem reproduzidos simultaneamente, um em cada ouvido.
