Em comunicados ao mercado, as redes informaram que mantêm lojas físicas e canais digitais em operação regular. As empresas afirmaram que as medidas buscam repactuar passivos financeiros com bancos e recompor o capital de giro.
A ilusão da receita bruta
O crescimento acelerado de faturamento funcionou por anos como escudo para estruturas de capital desequilibradas. Empresas priorizaram a abertura de lojas e a conquista de mercado, financiadas por crédito bancário caro e emissão de dívidas. A expansão mascarou margens operacionais comprimidas e baixa disciplina na gestão de caixa.
O aumento dos juros básicos inviabilizou a sustentação desse modelo financeiro. No varejo tradicional, a margem líquida média costuma variar entre 1% e 3% da receita líquida. Com a taxa Selic em dois dígitos, as despesas financeiras com juros passaram a consumir todo o lucro antes de impostos.
O levantamento do Monitor RGF-BizDoc contabilizou 6.341 empresas em recuperação judicial ativa no primeiro semestre de 2026.
O número representa um aumento de 6,2% na comparação com o encerramento de 2025. Segundo dados da Serasa Experian, a inadimplência empresarial no país atingiu a marca recorde de 9,1 milhões de negócios com contas em atraso.
Estoques parados e pressão no caixa
O descompasso no planejamento de compras agravou o sufoco de caixa das companhias.
