Um corpo encontrado encalhado no litoral do Rio Grande do Sul transformou-se em uma oportunidade incomum para investigar as relações entre predadores e presas no Atlântico Sul. O animal era uma toninha (Pontoporia blainvillei), uma espécie de hábitos costeiros e considerada uma das mais ameaçadas entre os cetáceos da região. A análise das lesões encontradas no cadáver permitiu reconstruir os momentos finais de sua vida e identificar o responsável pelo ataque.
Ao todo, o exemplar apresentava três conjuntos de marcas de mordida. Uma delas, localizada na nadadeira dorsal, apresentava sinais de hemorragia, indicando que o ferimento ocorreu enquanto a toninha ainda estava viva. A partir do formato e das dimensões das lesões e dos dentes, pesquisadores concluíram que o ataque havia sido provocado por um tubarão-branco (Carcharodon carcharias) com aproximadamente 3,6 a 3,8 metros de comprimento e entre 400 e 490 kg.
Segundo pesquisadores da PRÓ-SQUALUS (Organização para a Pesquisa e a Conservação de Esqualos no Brasil) e UFC (Universidade Federal do Ceará), responsáveis pela investigação, o caso chama atenção por se tratar da primeira evidência de interação entre esses animais. Detalhes dos achados foram descritos em um artigo publicado no início de agosto na revista Wildlife Research.
Toninha morta no RS representa 1º caso de ataque por predador inesperado
