A indústria do trigo avalia que o Brasil pode precisar importar 10 milhões de toneladas de trigo na safra 2026/27, um volume inédito que, segundo o diretor de suprimentos da Viterra-Bunge, Maurício Ghiraldelli, coloca em dúvida a capacidade logística do país para receber o cereal.
Segundo Ghiraldelli, se as perdas se confirmarem em estados como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, a Argentina teria volume suficiente para suprir a demanda brasileira. O desafio, afirmou, será fazer esse trigo chegar aos moinhos em um período de disputa por infraestrutura portuária e de transporte.
“Muito provavelmente a gente vai ver o Brasil necessitando de 10 milhões de toneladas que a Argentina poderia suprir, se tiver qualidade. Como que a gente descarrega 10 milhões de toneladas?”, disse Ghiraldelli durante o Encontro da Cadeia do Trigo de São Paulo, em meio ao agravamento das perdas provocadas pelo El Niño nas lavouras brasileiras.
“A gente vai ter um ano ímpar. Não sei como a gente [a Bunge] vai conseguir descarregar todo esse trigo. Não só nós, como todos os outros moinhos. Eu sinceramente nunca vi um cenário como esse”, afirmou.
A complexidade do abastecimento também foi pontuada por Élcio Bento, analista de trigo da Safras e Mercado. Para ele, o setor lida com um cenário sem precedentes históricos que dificulta a análise de cenários habituais.
