Na década de 2000, o linguista da Unicamp Carlos Vogt propôs que os processos que envolvem a ciência, sua produção, difusão, ensino e divulgação, estão diretamente conectados e se retroalimentam. Nessa perspectiva, os dados do último Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês) se tornam ainda mais preocupantes.
O Brasil ficou em 67° lugar no mundo em ciências, entre 91 países que participaram do exame. Isso significa que, por aqui, os estudantes tiveram mais dificuldade para explicar fenômenos cientificamente ou para usar informações científicas para tomada de decisão do que alunos de países como Estados Unidos (13°) e Chile (43°).
A avaliação internacional organizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mede o desempenho de estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. A última edição teve foco em ciências, e os resultados foram divulgados em setembro.
O problema é que o Brasil está beirando o último pelotão no ensino de ciências dentre os países avaliados. E, voltando à análise de Vogt, uma educação científica de base que deixa a desejar compromete toda a cultura científica do país. Distancia as pessoas da ciência, prejudica a formação de novos pesquisadores.
Na série histórica, o Brasil tem melhorado timidamente na prova. Passou de 390 pontos em 2006, primeira edição do Pisa da qual participou da avaliação com foco em ciências, para 409 pontos em 2025.
