Na Universidade de Stanford, nos EUA, cientistas monitoram de perto cerca de vinte camundongos que, à primeira vista, não aparentam ter nada de anormal. De fato, nenhum deles apresentou algo suspeito até agora - seguem a vida como camundongos comuns.
Mas não se engane: dentro de suas cabecinhas, esses animais guardam um detalhe muito exótico. Seus cérebros são feitos, em parte, por milhões e milhões de neurônios humanos.
Em um novo estudo publicado no periódico Nature, neurocientistas transplantaram células cerebrais humanas para o cérebro de camundongos, preenchendo regiões incompletas do sistema nervoso. O resultado é um novo modelo experimental que pode, em pesquisas futuras, ajudar a identificar causas ou tratamentos para transtornos neuropsiquiátricos, como a paralisia cerebral ou alguns tipos de demência.
O estudo representa um avanço importante nas tentativas de replicar o cérebro humano fora do corpo. Analisar neurônios vivos é uma dificuldade que assola esse campo de pesquisa há décadas.
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Uma alternativa só foi surgir lá pelo começo dos anos 2010, quando cientistas começaram a trabalhar com um tipo de estrutura chamada organoide. Em vez de estudar diretamente um órgão humano, agora pesquisadores poderiam cultivar, em laboratório, versões mais simples e miniaturizadas dos tecidos do corpo.
