A poucos dias da eleição, Lula encontrou um assunto capaz de unir eleitores que discordam em quase todo o resto: as bets.
Uma pesquisa Atlas/Bloomberg mostra que 75% dos entrevistados concordam com a proibição das apostas online. Para um presidente que enfrenta Flávio Bolsonaro em uma disputa apertada, é uma bandeira difícil de ignorar.
A preocupação é legítima. O jogo entrou na rotina das famílias pelo celular. Consumiu renda e deixou muita gente endividada.
Quem acompanha a economia sabe o peso de uma prestação no orçamento doméstico. Quando a promessa de dinheiro fácil vira dívida, não basta tratar o assunto como diversão.
A escolha do momento
Lula estuda editar uma medida provisória para proibir as apostas online. A discussão começou pelos cassinos virtuais, mas, segundo a imprensa, passou a incluir também as apostas esportivas.
O alcance da proibição ainda depende do texto oficial. Já o efeito político do anúncio é imediato.
As pesquisas indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em simulações de segundo turno. Vejo aí uma tentativa de transformar a indignação com as bets em iniciativa política às vésperas da votação.
O problema é real. Justamente por isso, a solução precisa funcionar depois que os votos forem contados.
O governo também precisa responder
Há uma pergunta incômoda para Lula: como o governo pretende proibir um mercado que ajudou a organizar?
As apostas esportivas foram legalizadas em 2018.
