A área técnica da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) propôs uma fórmula para definir quantos anos poderão ser acrescentados à concessão de uma hidrelétrica que ampliar sua capacidade de geração. Um memorando enviado à diretoria faz uma ressalva de que o cálculo pode não captar todo o benefício de uma usina capaz de produzir mais nos horários em que a energia é mais necessária.
A questão é que ter mais potência não significa necessariamente gerar mais energia ao longo do mês. Uma usina com reservatório pode produzir uma quantidade mensal semelhante e, com novas unidades geradoras, concentrar parte dessa produção nas horas de maior demanda. Segundo o memorando, uma conta baseada em médias mensais pode não mostrar o valor dessa flexibilidade.
A lei permite prorrogar a concessão pelo tempo necessário para recuperar o investimento na ampliação, até o limite de 20 anos. A Aneel ainda não tem uma regra geral para fazer essa conta. Por isso, suspendeu a análise dos pedidos de Salto Santiago, da Engie, e Cachoeira Dourada, da Enel Green Power, enquanto discute uma metodologia para esses casos.
Pela proposta da área técnica, a agência calcularia o custo da capacidade adicional e estimaria quanto a usina poderá obter com sua exploração. Para evitar que o resultado dependa apenas das projeções apresentadas por cada empresa, usaria valores de referência para o investimento e para o retorno econômico.
