O excesso de autoconfiança de uma das partes na mesa de negociações pode se transformar em ingrediente “matador” para o encaminhamento de um bom acordo, diz o chefe da Secretaria de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos do TCU (Tribunal de Contas da União), Nicola Khoury, com a experiência de quem já conduziu mais de duas dezenas de repactuações contratuais na área de infraestrutura, envolvendo cifras multibilionárias, como o aeroporto do Galeão (RJ) e a rodovia Fernão Dias (São Paulo-Belo Horizonte).
Em entrevista ao Conexão Infra, programa semanal da CNN, Khoury fez um balanço da Secex Consenso, prestes a completar quatro anos de existência, e refletiu sobre posturas que ajudam a construir, ou a minar, entendimentos nessas tratativas.
Para ele, o maior ganho propiciado pela secretaria foi trazer para o mesmo ambiente atores que vinham divergindo entre si, substituindo a mera troca de correspondências formais por conversas nas quais tem sido possível compartilhar visões e explorar saídas mutuamente benéficas.
“Às vezes, o diálogo só se dava por meio de ofícios muito duros, questionando determinadas decisões e tentando proteção para levar o problema à Justiça. Isso pode gerar, no momento seguinte, um afastamento [entre as partes]”, afirma Khoury.
Se a criação de um ambiente de confiança é fundamental, segundo ele, o excesso de altivez pode ser “matador”.
