Lula é o grande chefe. É ele quem dá as cartas na esquerda. E não é de hoje. Desde que iniciou sua trajetória política, assumiu uma posição de liderança que preservou em todos os instantes. Mesmo na época em que José Dirceu, apontado como a eminência parda do PT, se preparava para alcançar o papel de maior destaque no cenário nacional, o atual presidente deu um jeito de continuar no comando.
Por causa das acusações feitas pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, Dirceu foi obrigado a deixar o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, que servia de trampolim perfeito para suceder a Lula na presidência, e teve de interromper, assim, a sua até então “imparável” ascensão.
Bateu em retirada
Depois dessa saída estratégica, para acalmar os ânimos do forte antagonismo da população contra o escândalo do mensalão, recolheu-se a uma espécie de ostracismo. Foi preso e teve seus direitos políticos cassados, tornando-se inelegível. Portanto, um dos poucos nomes que poderiam fazer sombra a Lula ficara fora de combate.
Tudo isso para dizer que o chefe do Executivo reina sozinho. Não conseguiu, nem pretendeu conseguir ao longo das últimas décadas preparar um sucessor. A figura mais próxima é o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, que deve perder as eleições ao governo de São Paulo já no primeiro turno. Sem novidade. Já está acostumado a entrar nessas disputas sabendo que vai perder.
Foi só coincidência?
Lula, portanto, não reza pela cartilha de ninguém, só a sua própria.
