Lula voltou à ONU para vender ao mundo a imagem de um Brasil protagonista, defensor da democracia e da soberania. Mas, dentro e fora do plenário, ficou evidente uma pergunta: entre o discurso e a realidade, qual país o brasileiro enxerga?
De fato, a fala presidencial trouxe velhos temas: defesa do multilateralismo, críticas às grandes potências e soberania nacional. O problema é que o brasileiro comum não vive de discursos internacionais. Vive de segurança, custo de vida, serviços públicos eficientes e da sensação de que o Estado funciona.
Nesse contexto, o governo federal atual chega ao período eleitoral carregando desgastes. Prometeu reconstrução, mas enfrenta críticas relacionadas ao aumento da percepção de insegurança, às dificuldades econômicas, aos gastos públicos, à pressão fiscal e a uma distância cada vez maior entre a propaganda oficial e a experiência cotidiana de parte da população.
Além disso, na ONU, a cena que ganhou o mundo foi o episódio envolvendo Marco Rubio. O secretário de Estado americano se aproximou da delegação brasileira, mas não houve cumprimento ou conversa com Lula. O que Rubio pretendia dizer naquele momento não foi revelado.
Vale lembrar que Lula já havia chamado Rubio de “latino frustrado”. Rubio, por sua vez, fez críticas ao governo brasileiro em meio às tensões comerciais e diplomáticas.
