As Testemunhas de Jeová recusam transfusões de sangue total por motivos estritamente religiosos, baseando-se em uma interpretação literal do mandamento bíblico de “abster-se de sangue”. Para os cerca de 1 milhão de fiéis no Brasil e 9 milhões no mundo, o sangue é o símbolo sagrado da vida concedida por Deus.
No entanto, atualizações recentes divulgadas pela liderança da denominação flexibilizaram as diretrizes históricas, permitindo que cada membro decida, segundo sua consciência individual, sobre a doação e o recebimento de componentes sanguíneos e o uso do próprio sangue em procedimentos cirúrgicos.
A recusa a tratamentos que envolvam o sangue total fundamenta-se em três textos principais do Antigo e do Novo Testamento, interpretados como ordenanças divinas perpétuas:
Gênesis 9:4: Logo após o Dilúvio, a ordem dada a Noé estabelece que a carne não deve ser consumida com sua vida, isto é, com seu sangue.
Levítico 17:14: A Lei Mosaica reforça que a vida de qualquer criatura é o seu sangue e proíbe terminantemente o seu consumo.
Atos 15:28-29: No Novo Testamento, o decreto apostólico instrui os cristãos a “persistam em se abster de coisas sacrificadas a ídolos, de sangue, do que foi estrangulado e de imoralidade sexual”.
Para a organização religiosa, a orientação de “abster-se” aplica-se a qualquer forma de introdução do sangue no organismo, seja por via oral ou intravenosa.
