Uma pessoa chega ao pronto-socorro com falta de ar, mal-estar ou dor no peito. Entre os exames solicitados está a troponina, uma proteína liberada no sangue quando ocorre lesão das células do músculo cardíaco. O resultado vem elevado e surge imediatamente a preocupação: foi um infarto? Nem sempre.
Essa distinção, que já vinha sendo construída nos últimos anos, acaba de ganhar critérios mais claros com a 5ª Definição Universal de Infarto do Miocárdio, publicada em 2026 pelas principais sociedades internacionais de cardiologia. O documento reforça um conceito fundamental: troponina elevada indica injúria miocárdica, mas, para diagnosticar um infarto, é necessário demonstrar também que essa lesão ocorreu em um contexto de isquemia aguda.
Em outras palavras, todo infarto envolve uma injúria do músculo cardíaco, mas nem toda injúria é um infarto.
Por que a troponina pode aumentar sem haver infarto?
As troponinas cardíacas são proteínas presentes nas células do músculo do coração. Quando essas células sofrem uma lesão, ocorre liberação de troponina na circulação. Com os testes de alta sensibilidade utilizados atualmente, conseguimos detectar quantidades muito pequenas dessa proteína.
Quando o valor está acima do limite superior de referência, existe injúria miocárdica. Se medições sucessivas mostram elevação ou queda da troponina, falamos em injúria aguda. Quando os valores permanecem elevados, mas relativamente estáveis, a lesão pode ser considerada crônica.
