“Foi só uma palmada inofensiva” tem sido uma frase frequente para justificar o uso do castigo físico leve na educação de crianças. A fala aparece quando uma punição física é tratada como algo diferente de violência, a partir da ideia de que uma agressão “leve” pode ser uma forma aceitável de corrigir ou impor limites.
Um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado nesta quinta-feira (24), mostra que essa separação que muita gente faz, às vezes sem perceber, ajuda a explicar por que o castigo corporal não só persiste no Brasil, mas continua sendo uma prática presente na criação de crianças.
Quando jogar videogame deixa de ser só diversão?
Mesmo depois de anos de campanhas e de uma legislação que proíbe seu uso, a maioria das mães e dos pais entrevistados enxergam a palmada como a melhor forma de corrigir um comportamento inadequado. Nas conversas, a dúvida raramente era se bater ou não, mas sim até onde poderiam ir. A palmada entrava na conta do “leve”, diferente do que os participantes consideravam violência de verdade.
Na lei, a diferença entre palmada e violência não existe. Desde 2014, a Lei Menino Bernardo (Lei 13.010/2014) garante a crianças e adolescentes o direito de serem educados sem castigo físico. O próprio estudo define castigo corporal como qualquer punição que use a força para causar dor ou desconforto, por mais “leve” que pareça.
A prática é bem mais comum do que se imagina.
