O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgou, nesta 5ª feira (24.set.2026), o estudo “É só uma palmada?”, que analisa os motivos da permanência do castigo corporal contra crianças na 1ª infância no Brasil. A pesquisa qualitativa ouviu 214 pessoas -entre mães, pais, cuidadores, lideranças comunitárias e profissionais da rede de proteção- no Rio de Janeiro (RJ), em Manaus (AM) e no Recife (PE). Leia a íntegra do estudo (PDF - 1 MB).
O levantamento mostra que a maioria dos entrevistados não considera agressões físicas “leves” como violência, mas como instrumento legítimo de correção comportamental e de ensino de respeito à autoridade. No entendimento das famílias ouvidas, há uma distinção nítida entre a “palmada” ou o “tapinha” educativo e o “espancamento”.
Linguagem e justificativas
Segundo a pesquisa, o uso de eufemismos e diminutivos -como “chineladinha” ou “tapinha”- ajuda a retirar o castigo corporal da categoria de violência. Regionalmente, as expressões variam: no Rio de Janeiro, foram registrados termos como “chinelada”, “coça”, “cinto”, “beliscão” e “vara”; no Recife, “cacete”, “sandália”, “puxão” e “cinto”; e, em Manaus, “peia”, “chinelo”, “surra” e “vara”.
Uma das mães entrevistadas em Manaus afirmou que sabe “que não pode espancar, mas uma palmada pode”. No Rio de Janeiro, um pai declarou: “Existe uma forma de bater educando, que foi a que eu fui criado. E existe o espancamento mesmo”.
