Toda vez que encontro uma equipe terceirizada pela prefeitura podando árvores na rua, diminuo o passo. O coração acelera antecipando aquilo que cabe a um homem com motosserra na mão definir como estética e funcionalmente adequado para a situação. O uniforme me tranquiliza durante alguns segundos porque penso que desta vez, capacitados, os contratados realização um serviço minimamente adequado à sobrevivência da espécie: um caminhão da empresa contratada, cones no asfalto, capacetes e homens que apontam para a copa enquanto trocam ideias.
Serviço autorizado pelo poder público municipal, sem dúvida. Bem executado já é outra conversa.
Existem manuais públicos de poda, sem dúvida. Conheço-os bem, quase decor. São documentos cuidadosos, cheios de desenhos, medidas, ângulos de corte e recomendações sobre os galhos que podem ou não ser retirados. Explicam a poda de formação, de limpeza, de adequação, de emergência. Advertem contra cortes excessivos. A árvore, no papel, está protegida.
O manual, porém, não sobe na caçamba.
Quem sobe é o trabalhador contratado. O uniforme permite reconhecer a empresa. Às vezes, desejo que o currículo apareça bordado no uniforme informando ao cidadão desavisado que ele pode ter recebido treinamento técnico da empresa. Pelo que vejo, provavelmente tenha aprendido acompanhando o trabalho de outro funcionário, que, por sua vez, aprendeu com outro.
