O preço recebido pelo produtor rural e o valor pago pelo consumidor no supermercado não caminham necessariamente na mesma velocidade e, em alguns produtos, a diferença pode ser grande. Uma análise feita pela CNN mostra que café e leite tendem a transmitir mais rapidamente as oscilações da origem para a gôndola, enquanto a carne bovina tem um repasse mais lento e parcial. No arroz, a transmissão também ocorre, mas outros fatores ajudam a explicar por que o preço no supermercado pode resistir mesmo quando a cotação no campo recua.
Os dados ao produtor foram medidos pelo Cepea (Centro de Estudos em Economia Aplicada), com os preços ao consumidor acompanhados pelo Dieese. Também foram apresentados a economistas.
A diferença aparece com clareza no café. O preço do café arábica medido pelo Cepea saiu de R$ 991 por saca em janeiro de 2024 para R$ 2.628 em fevereiro de 2025, uma alta superior a 160%. Em São Paulo, o preço ao consumidor passou de R$ 25,73 para R$ 50,04 por quilo no mesmo período. A análise estima uma defasagem de dois a quatro meses e um repasse de 75% a 90% da variação do produtor para o consumidor.
Em 2026, o movimento se inverteu. O preço do café arábica caiu de R$ 2.179 por saca em janeiro para R$ 1.477 em junho. No varejo paulista, a queda foi menor: de R$ 68,40 para R$ 61,02 por quilo.
Leite tem repasse rápido; no caso da carne, demora
No leite, a relação é ainda mais direta.
