Os leilões de saneamento chegaram a 2026 como uma das principais promessas para o setor de infraestrutura, mas o desempenho dos certames ao longo do ano ficou abaixo das expectativas. Entre os cinco grandes projetos levados à B3, houve leilão cancelado por falta de propostas e disputas com apenas um concorrente.
Segundo especialistas ouvidos pela CNN, uma combinação de fatores reduziu o apetite dos investidores: juros elevados, menor disponibilidade de capital, compromissos de investimentos já assumidos pelas empresas, incertezas sobre os efeitos da reforma tributária, limitações no número de grandes operadores e problemas específicos de modelagem.
Outro ponto levantado foi o número restrito de players no setor o que reduz a capacidade de participação em novos projetos, especialmente em um cenário de balanços mais pressionados. Empresas relevantes do segmento, como Aegea e BRK, registraram resultados financeiros negativos nos últimos trimestres.
A Aegea, que participou de grandes disputas nos últimos anos e assumiu compromissos elevados de investimentos, hoje tem menos espaço para entrar em novos projetos. A Iguá também já sinalizou que pretende desacelerar a participação em leilões, enquanto a BRK tem adotado uma postura mais seletiva na escolha dos ativos. Por sua vez, a Equatorial, que ampliou sua atuação no saneamento, concentra esforços nos projetos da Sabesp e da Copasa.
O resultado desse cenário foi uma sequência de certames com pouca competição.
