O debate sobre soberania e segurança regional ganhou força na reta final das eleições brasileiras. O governo brasileiro acompanha com preocupação o avanço do grupo denominado Escudo das Américas, liderado pelos Estados Unidos e criado para ampliar a cooperação no combate ao narcotráfico e ao crime organizado. A apuração é da âncora da CNN Débora Bergamasco.
Países membros do grupo assinaram recentemente um acordo para designar formalmente facções acusadas de narcotráfico, incluindo o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, como ameaças compartilhadas, aplicando sanções contra essas organizações criminosas.
Amorim defende cooperação, mas rejeita subordinação
Segudo apuração de Débora, Celso Amorim, assessor especial da Presidência para política externa, afirmou que o Brasil não pretende aderir ao Escudo das Américas, mas que isso não significa recusa à cooperação com os Estados Unidos no enfrentamento ao crime.
Segundo ele, o avanço militar dos Estados Unidos na região poderia servir de justificativa para uma eventual intervenção em território brasileiro.
Fontes do governo brasileiro consultadas pela reportagem expressaram o temor de que, sob a justificativa de combater o crime organizado presente no país, os Estados Unidos pudessem realizar ações militares em solo nacional.
A preocupação se insere num contexto mais amplo, no qual temas como imigração e narcotráfico passaram a ser tratados como questões de segurança nacional pelos Estados Unidos.
