O país está dividido entre os brasileiros que ficam horrorizados com os gastos do Bolsa Família e aqueles que dizem: “Você viu? O pai deu mais R$ 90 pra nóis!”. Infelizmente, eu ouvi isso esta semana. Mas vamos às definições: para que ele foi criado?
O Bolsa Família foi criado para beneficiar pessoas com renda familiar per capita de até R$ 218. Assim, uma família de quatro pessoas, na qual apenas uma trabalha e recebe um salário de R$ 1,6 mil, possui renda per capita de R$ 400 e, portanto, não tem direito ao benefício.
Esse valor tenta amenizar a extrema pobreza determinada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que considera nessa situação as pessoas que ganham menos de US$ 3 por dia. Para a própria ONU, quem ganha menos de US$ 90 por mês, ou aproximadamente R$ 468, está em situação de extrema pobreza. Aqui encontramos nosso primeiro dilema: para o mundo, uma família de quatro pessoas que vive com apenas um salário mínimo está em situação de extrema pobreza.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nossa renda per capita está dividida da seguinte forma: 13,3% da população, cerca de 27 milhões de brasileiros, vivem com até ¼ do salário mínimo, como no exemplo acima; 18,5%, ou 37,6 milhões de pessoas, vivem com até meio salário mínimo; 29,2%, ou 59,3 milhões de brasileiros, vivem com até um salário mínimo; e 39% da população vive com mais de um salário mínimo.
