O governo brasileiro já esperava que os Estados Unidos aprofundassem a tentativa de usar o crime organizado para justificar medidas para ampliar sua influência sobre o continente, segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil.
Porém, as sanções ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao Comando Vermelho (CV) não foram antecipadas, porque o Brasil não faz parte do Escudo das Américas, aliança criada por Donald Trump para combater o narcotráfico.
Interlocutores negam que o governo tenha sido surpreendido e afirmam que apenas não havia conhecimento sobre o conteúdo da declaração divulgada pelo grupo na terça-feira (22).
Como o Brasil não é integrante do Escudo das Américas, naturalmente o texto que trouxe o anúncio das sanções não foi compartilhado previamente com o país.
Uma das fontes afirma que o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Assembleia Geral da ONU é uma prova de que já havia expectativas de novos ataques do governo Trump e que a fala do líder brasileiro funcionou como uma “vacina” contra novas ações.
No discurso, o petista disse que o Brasil não vai “terceirizar a responsabilidade” de defender suas fronteiras e que o país não precisa de “porta-aviões vigiando nossas águas”.
Uma das fontes afirmou ainda que o grupo deliberou sobre uma posição que já existia, os Estados Unidos já haviam designado o PCC e o CV como grupos terroristas. A fonte lembra que a declaração não é dirigida ao Brasil, mas sim a facções que atuam em território brasileiro.
