A tentativa da China de acompanhar as discussões entre Brasil e Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) não recebeu a permissão norte-americana. Pequim pretendia ingressar como terceira interessada nas consultas abertas por Brasília para questionar as tarifas impostas pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros.
A posição dos EUA foi registrada em documento encaminhado à OMC nesta terça-feira, 22. A delegação norte-americana sustentou que o processo iniciado pelo Brasil não trata de políticas ou práticas adotadas pela China. Também não estão em discussão tarifas dos EUA dirigidas especificamente a mercadorias de origem chinesa.
Para o governo Trump, esses elementos não sustentam o chamado “interesse comercial substancial” reivindicado por Pequim como fundamento para acompanhar as consultas. Pequim apresentou sua solicitação em 6 de agosto. A justificativa era a de que uma das medidas incluídas na contestação brasileira produziria efeitos também sobre produtos chineses.
A possibilidade de entrada de outro país nessa fase está prevista no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias da OMC. Pelo dispositivo, um membro da organização pode participar das consultas de uma disputa da qual originalmente não faz parte quando demonstra interesse comercial substancial no assunto.
Há, contudo, uma condição para isso.
