O governo federal reduziu para 2% a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026, conforme dados do Boletim Macrofiscal divulgado pelo Ministério da Fazenda.
Em entrevista ao CNN Money, Cristiano Corrêa, professor de Finanças do Ibmec-SP, avaliou que os dados indicam uma acomodação da atividade econômica brasileira.
Corrêa explicou que a aparente contradição entre a revisão do governo e a projeção da OCDE (Organização para o Crescimento e Desenvolvimento Econômico), que apontou crescimento maior, tem uma explicação técnica.
“Essa leitura que aparentemente parece ser contraditória, na verdade, ela é uma leitura de acomodação”, afirmou. Segundo ele, o relatório do governo tem um corte referente ao início de setembro, quando as condições econômicas eram diferentes das atuais, o que justifica parte das divergências entre as projeções.
Consumo das famílias como fator limitante
O especialista destacou que o crescimento do PIB ainda depende fortemente do consumo das famílias. Contudo, o indicador tem perdido força.
“Boa parte dos gastos da família hoje são feitos com pagamento de juros, com pagamento de despesas financeiras e, obviamente, acaba não sobrando dinheiro de forma geral para acelerar de alguma forma esse PIB”, explicou Corrêa.
O aumento do endividamento e da inadimplência foram apontados como fatores que travam o consumo, mesmo em um cenário de desemprego baixo.
