Oi, meus amigos. Nas últimas semanas, o aumento das tensões geopolíticas internacionais voltou a influenciar o mercado global de energia e pressionou com força o preço do petróleo. Como economista, entendo que esses movimentos vão além das oscilações normais do mercado. O que vemos é uma mudança estrutural e logística em curso. A seguir, esclareço os principais fatores desse cenário e seus impactos para o Brasil.
A crise mais recente teve origem na Arábia Saudita, onde o Oleoduto Leste-Oeste (East-West Pipeline) foi atacado por drones. A estrutura tem 1.200 km de extensão e capacidade para transportar até 7 milhões de barris por dia (bpd), volume equivalente a cerca de 7% da demanda global diária, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). O oleoduto era a principal rota alternativa até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, permitindo à Arábia Saudita escoar petróleo bruto sem depender do vulnerável Estreito de Ormuz. Com a infraestrutura parada para reparos emergenciais nas estações de bombeamento, a Saudi Aramco precisou cancelar suas alocações contratuais de longo prazo para outubro de 2026, afetando refinarias na Europa, Índia e China.
O cancelamento simultâneo de entregas para Europa e Ásia provocou um efeito em cadeia. As refinarias dessas regiões tiveram de disputar, com mais intensidade, os barris disponíveis no mercado de curto prazo (spot), buscando alternativas no Mar do Norte, na África Ocidental, no Brasil e no Golfo do México.
