Fui adolescente na efervescência dos anos 90. Se você é dessa época, é provável que se identifique com o que escrevo.
Naqueles dias, o pop rock era um ritmo forte; os jovens rebeldes com causa, ou sem, amavam. E um jovem, a quem chamavam de Poeta, que lutava contra uma doença incurável, cantava, em função de suas vivências e também por causa da política brasileira:
A tua piscina está cheia de ratos, as tuas ideias não correspondem aos fatos…
Corta a cena. Voltemos ao hoje. Mais de 30 anos depois, assistimos, inertes, a uma piscina cheia de ratos: alguns togados, outros vestidos de cidadãos de bem, muitas notas de dólares, charutos e uísques caros circulando. O excesso da podridão. Em poucos casos, a exceção da limpeza.
Você sabe a que me refiro… Mas, como essa é uma coluna de português, guarde todas essas informações, prometo voltar a elas depois, e vamos à nossa aula de hoje. Combinado?
Preste atenção às palavras que destaquei no texto: adolescente, efervescência, piscina, excesso e exceção. Essas palavrinhas possuem sequências de duas letras que, nesses casos, representam um único som: SC e XC com som de S. A essas sequências chamamos de dígrafos.
O xis não é entender o que é um dígrafo, mas saber por que, nesses casos, não escrevemos apenas com S… Aliás, sabia que essas são palavras frequentemente escritas de forma errada?
