A tribuna da ONU é uma das maiores vitrines que um presidente pode ocupar. Nesta terça-feira (22), Lula falou a representantes de outros países, mas sabia que suas palavras também chegariam ao Brasil. E escolheu assuntos que o eleitor brasileiro reconhece de imediato.
Ao dizer que o Brasil não cabe no “quintal de ninguém”, criticar a interferência externa em eleições e defender o controle nacional sobre recursos estratégicos, Lula apresentou uma posição diplomática.
Ao falar do Pix, das grandes empresas de tecnologia e da proteção das famílias contra as apostas, levou para o mesmo discurso temas do cotidiano. Citou ainda as terras raras, a Margem Equatorial e a necessidade de gerar valor no Brasil com nossas riquezas naturais.
Flávio Bolsonaro não aparece nominalmente nesta parte do discurso. Ainda assim, a mensagem política é perceptível.
Lula procurou associar sua imagem à defesa da soberania e deixar no ar uma pergunta para o eleitor: quem teria mais independência para representar os interesses brasileiros diante dos Estados Unidos?
É uma interpretação do discurso, não uma prova da intenção pessoal do presidente. Também não há motivo para tratar a crítica a pressões sobre o Pix como demonstração de que Flávio queira acabar com o sistema.
O que se pode observar é a escolha de símbolos fortes, capazes de circular muito além da reunião da ONU.
Por que falar assim agora?
A resposta está, em parte, nas pesquisas.
