O Brasil reúne todas as condições para se consolidar como um dos corredores logísticos mais eficientes do mundo, combinando baixo custo, escala e menor emissão, e disputando espaço no mercado internacional com grandes competidores, como Estados Unidos e Argentina. O potencial existe. O que ainda falta, muitas vezes, é transformar essa vantagem natural em infraestrutura capaz de sustentá-la.
O Arco Norte consolidou-se como o principal corredor de exportação de granéis do país justamente por oferecer fretes competitivos e uma alternativa mais sustentável na comparação com outros modais. Para se ter uma ideia, um comboio fluvial pode transportar até 70 mil toneladas, o equivalente a três trens de 200 a 240 vagões ou a retirar 1.600 caminhões das estradas em uma única viagem. É ganho de escala, eficiência e competitividade.
Mas essa vantagem esbarra em gargalos estruturais históricos que, sucessivamente, o governo federal deixa em segundo plano. A infraestrutura logística da região ainda carece de investimentos em acessos, ferrovias e, sobretudo, em navegabilidade. É uma contradição difícil de justificar: justamente a região brasileira com maior vocação para o transporte em larga escala continua convivendo com insegurança hídrica e estrutural.
As mudanças climáticas tornaram essa fragilidade ainda mais perigosa.
