Em setembro de 2021, o governo de Jair Bolsonaro levou ao Congresso um número que havia surpreendido a equipe econômica. A conta de precatórios da União, de R$ 54,7 bilhões naquele ano, estava projetada em R$ 89,1 bilhões para 2022. Eram R$ 34,4 bilhões a mais de um ano para outro.
Cinco anos depois, os arquivos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, expõem um mercado bilionário em torno das dívidas judiciais da União. O banco havia comprado direitos sobre indenizações cobradas do governo federal por usinas de açúcar e álcool, em disputas que remontam ao período de controle de preços pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).
Em vez de esperar pelo desfecho das ações, algumas empresas venderam a terceiros o direito de receber o dinheiro em caso de vitória na Justiça. O Master adquiriu parte desses direitos e mantinha no balanço uma carteira de cerca de R$ 10 bilhões ligada ao setor sucroalcooleiro.
Uma parcela dessa carteira aparece no contrato firmado com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia. O documento encontrado pela Polícia Federal (PF) previa a atuação da banca em 12 processos que, juntos, envolviam cerca de R$ 8,5 bilhões em créditos de interesse do Master. A remuneração dependia do resultado. O escritório teria direito a honorários equivalentes a 5% dos valores efetivamente recebidos pelo banco nessas ações.
