Os acidentes de trânsito fazem parte da rotina dos serviços de emergência brasileiros e, entre suas consequências mais graves, está o traumatismo cranioencefálico, conhecido pela sigla TCE. Para nós, neurocirurgiões, esse é um cenário particularmente preocupante porque uma colisão ou queda que acontece em poucos segundos pode deixar consequências para toda a vida. E quando falamos em motociclistas, a vulnerabilidade é ainda maior.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2011 e 2021, o número de internações de motociclistas por lesões no trânsito passou de 70.508 para 115.709. No mesmo período, a taxa de internação subiu de 3,9 para 6,1 casos por 10 mil habitantes, crescimento de aproximadamente 55%. Em 2021, os motociclistas já representavam 61% das internações por lesões de trânsito registradas no levantamento.
A Semana Nacional de Trânsito é uma oportunidade para falar sobre prevenção, mas também para lembrar que, em um acidente de moto, proteger a cabeça pode significar a diferença entre uma recuperação relativamente rápida e uma lesão neurológica grave, incapacidade permanente ou morte.
O traumatismo cranioencefálico ocorre quando uma força externa provoca uma lesão no cérebro. Nem sempre é necessário haver uma fratura no crânio ou um ferimento aparente. A desaceleração brusca provocada por uma colisão, por exemplo, pode fazer com que o cérebro se desloque dentro do crânio e sofra lesões.
A gravidade varia muito.
