O Uruguai autorizou o Brasil a utilizar o excedente de sua cota de exportação de carne bovina destinada à China. A informação foi divulgada após reunião entre lideranças dos dois países à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. No entanto, a medida ainda depende de aprovação das autoridades chinesas, que até o momento não se manifestaram oficialmente sobre o assunto.
O economista Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, explicou que a decisão sobre o uso da cota não cabe aos países exportadores.
“A gestão dessa cota se dá justamente para os compradores, para quem está recebendo o produto”, afirmou. Segundo ele, a informação confirmada até agora é apenas do lado brasileiro e uruguaio, sendo a posição da China o ponto central ainda em aberto.
Interesse do Uruguai está na União Europeia
A cessão da cota pelo Uruguai também envolve interesses próprios do país vizinho. De acordo com Serigati, uma possível lógica por trás do acordo seria o Uruguai ocupar a cota brasileira junto à União Europeia, mercado de maior valor agregado, em troca de ceder sua cota não utilizada para a China ao Brasil.
“Faria sentido para ambos os países, mas não houve qualquer confirmação”, ponderou o pesquisador.
Outro fator relevante apontado é a concentração do mercado internacional de carne bovina em grandes grupos empresariais, inclusive brasileiros, que operam simultaneamente no Brasil e no Uruguai.
