O diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado Federal, Marcus Pestana, avaliou que a informação divulgada pela equipe econômica de que as despesas com Previdência geraram “folga” é contraditória com a notícia de que “zeraram” a fila de espera para concessão de benefícios do INSS, que havia superado 3 milhões de pedidos em fevereiro.
“Temos que aguardar o relatório de avaliação de receitas e despesas primárias que sai esta semana. Mas o que importa estrategicamente é que fica esse bolero ‘são dois pra lá, dois pra cá’, mas o resultado primário efetivo é muito distante do necessário para estabilizar a dívida e criar o ambiente para a queda dos juros”, disse Pestana à Broadcast.
A IFI estima que o superávit teria que ser de 2% do PIB, ou seja, cerca de R$ 260 bilhões. “A gente fica preso a supostos espaços de R$ 19,6 bilhões, com bandas de tolerâncias e descontos de despesas na apuração da meta”, criticou.
Nesta segunda-feira (21) o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que o governo federal identificou um espaço fiscal de R$ 19,6 bilhões no orçamento deste ano, o que permitiu o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, anunciado na semana passada.
Pestana avalia que o governo costuma deixar “alguma gordura” em despesas como, por exemplo, com pessoal. Ele também analisa que a receita do petróleo com a permanência da guerra no Irã ajudou a criar um espaço adicional.
