A obesidade atingiu 25,7% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal em 2024, mais que o dobro dos 11,8% registrados em 2006. Os dados, divulgados pelo Ministério da Saúde em julho deste ano, ajudam a dimensionar o mercado que transformou medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro em protagonistas de uma mudança no tratamento da doença, e abriu espaço para uma cadeia paralela de produtos sem registro, manipulados irregularmente e até substâncias que ainda estão em fase de pesquisa.
Para o médico endocrinologista José Eduardo Salles, os dois fenômenos precisam ser separados. De um lado estão medicamentos aprovados, prescritos e acompanhados por médicos. Do outro, produtos de procedência desconhecida, canetas trazidas irregularmente do exterior e moléculas experimentais oferecidas a consumidores antes de receber autorização das agências reguladoras.
“O remédio funciona”, ressaltou o médico. “Há estudos de segurança de longo prazo.”
Essa avaliação encontra respaldo em artigos científicos de grande porte, embora os resultados variem conforme o medicamento e o perfil dos pacientes.
