O Parque Nacional White Sands, no Novo México, pode não ser tão famoso quanto o Grand Canyon ou Yellowstone, mas talvez devesse ser.
Pode-se argumentar que nenhum outro lugar nas Américas oferece uma janela tão esclarecedora para a vida dos primeiros habitantes da região quanto suas dunas de gesso, repletas de revelações pré-históricas que estão mudando nossa compreensão da história da humanidade.
Apenas dois anos após White Sands ter sido elevada à categoria de parque nacional em 2019, esta extensão desértica de 712 quilômetros quadrados tornou-se o centro do mundo arqueológico, quando a descoberta de pegadas humanas fossilizadas foi divulgada.
A descoberta de 61 pegadas humanas impressas na lama, datadas de cerca de 21.000 a 23.000 anos atrás, segundo a datação por radiocarbono de camadas adjacentes de sementes de plantas, teve consequências revolucionárias para teorias há muito debatidas sobre quando os povos pré-históricos chegaram às Américas.
Até então, a visão predominante era de que os humanos chegaram à atual América do Norte há cerca de 13.000 a 16.000 anos, vindos da Ásia através da Beríngia, uma ponte terrestre agora submersa que outrora conectava os dois continentes.
As descobertas em White Sands recuaram drasticamente a cronologia, sugerindo que os humanos estiveram no continente durante o Último Máximo Glacial, um período entre 19.000 e 26.000 anos atrás, quando duas enormes camadas de gelo cobriam o terço norte da América do Norte.
