O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu quase 20% em pouco mais de um mês, em meio ao aumento da demanda e às interrupções na moagem de cana provocadas pelas chuvas.
As cotações passaram de R$ 2,05 por litro no início de agosto para R$ 2,46 na semana encerrada em 11 de setembro, segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA.
A recuperação ocorre após um período de pressão sobre os preços e também é influenciada pela valorização do açúcar e pela menor oferta de matéria-prima em algumas regiões produtoras.
A demanda doméstica é um dos principais fatores de sustentação do mercado. Em julho, as distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de etanol hidratado, o maior volume já registrado para o mês.
A competitividade do biocombustível em relação à gasolina também favoreceu o consumo. Em São Paulo, principal mercado consumidor do país, a paridade entre os dois combustíveis permaneceu abaixo de 60% no período analisado, mantendo o etanol economicamente mais vantajoso para o consumidor.
Teste de mistura de 35%
O mercado também acompanha medidas regulatórias que podem ampliar a demanda pelo biocombustível.
O Ministério de Minas e Energia deve publicar ainda em setembro uma portaria autorizando testes para avaliar a viabilidade técnica da mistura de 35% de etanol anidro na gasolina, conhecida como E35.
Segundo o Itaú BBA, caso a mistura seja adotada, ela poderá representar uma demanda adicional de 2 bilhões a 2,5 bilhões de litros de etanol anidro por ano.
