A SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda passou a tratar a alta do petróleo Brent como um “cenário de choque persistente”, e não mais como um choque pontual de oferta. A mudança no diagnóstico decorre da constatação de que a recomposição dos estoques globais e a normalização do fluxo de embarcações exigirão mais tempo do que o estimado, prolongando a pressão sobre as cotações.
A lenta absorção da alta elevou a projeção média do Brent para 2026 de US$ 79,20 para US$ 87,70 o barril, o que pressiona as taxas de juros de longo prazo e amplia o prêmio de risco global.
A revisão do cenário externo impactou os indicadores domésticos: a estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2026 caiu de 2,3% para 2,0%, enquanto a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) recuou de 5,1% para 4,9%. Os dados foram apresentados nesta 3ª feira (22.set.2026) na divulgação do Boletim Macrofiscal de setembro.
Participaram da apresentação a jornalistas:
Débora Freire Cardoso, secretária de Política Econômica;
Rafael de Azevedo Ramires Leão, subsecretário de Política Macroeconômica;
Rodrigo Toneto, subsecretário de Política Fiscal.
Segundo Freire, a situação ainda não chegou a um patamar disruptivo ou “catastrófico”. Ela também negou se tratar de um “novo normal”.
