A decisão do Ministério das Relações Exteriores (MRE) de conceder a Ordem de Rio Branco a um diplomata punido por assédio sexual motivou uma ofensiva no Senado Federal. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) apresentou, nesta terça-feira, 22, um requerimento cobrando explicações do ministro Mauro Vieira sobre os critérios que levaram à homenagem e sobre a política de proteção às mulheres na pasta.
Em 2022, o conselheiro Rubem Mendes de Oliveira confessou ter beijado uma funcionária sem consentimento. A vítima era uma assistente egípcia da embaixada no Cairo. Pelo ato, o diplomata recebeu punição em processo administrativo disciplinar. Ele cumpriu suspensão de 40 dias, convertida posteriormente em multa.
Depois do episódio, Oliveira assumiu novos cargos de chefia no exterior. O diplomata passou a atuar no Haiti e na Suíça.
Honraria concedida e revogada
Apesar da punição, o diplomata recebeu em 2026 a Ordem de Rio Branco no grau de Comendador, uma das principais distinções honoríficas do Estado brasileiro. Depois da revelação do caso pela imprensa e da pressão gerada, o governo publicou, em 17 de setembro, um ato tornando sem efeito a concessão.
Para a senadora, o recuo não anula a necessidade de investigação. O documento protocolado no Senado questiona quem sugeriu o nome do diplomata para a condecoração e se as instâncias responsáveis tinham ciência do histórico de assédio.
