O discurso do presidente Lula na Assembleia Geral das Nações Unidas teve dois destinatários. O primeiro estava diante dele: chefes de Estado, diplomatas e representantes de quase duas centenas de países. O segundo acompanhava tudo do Brasil: o eleitor.
Lula falou sobre guerras, crise climática, desigualdade e interferência das grandes potências. Tentou se apresentar como uma liderança capaz de representar os países em desenvolvimento e questionar a atual ordem internacional.
Mas a frase mais forte do pronunciamento ultrapassou as paredes da Organização das Nações Unidas (ONU) e entrou diretamente na eleição brasileira: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”
Uma ONU enfraquecida
Lula foi duro ao tratar da incapacidade das Nações Unidas de cumprir sua missão mais importante: preservar a paz.
Segundo ele, a credibilidade da organização nunca esteve tão baixa. O Conselho de Segurança, que deveria impedir conflitos, encontra-se frequentemente paralisado pelos interesses das potências que possuem poder de veto. Essa crítica tem fundamento.
A ONU acompanha a multiplicação das guerras, mas demonstra pouca força para interrompê- las. As resoluções se acumulam enquanto populações inteiras perdem suas casas, suas famílias e seu futuro.
“A guerra é a falência total da política”, afirmou Lula. É uma frase que resume bem o momento. Quando a diplomacia desaparece e os governos recorrem às armas, a maior conta não fica para os líderes. Fica para a população civil.
