Gentileza Madeleine Cova
"Muitas pessoas não entendem por que me sinto assim, se a minha família está bem, se meus filhos estão bem, se comigo não aconteceu nada", conta a professora Madeleine Cova. "Mas estou sempre triste."
Disseram que o que ela sente não é depressão, mas um estado de tristeza profunda. Ela diz que está de "luto".
"É que eles não entendem que eu estava muito envolvida com as minhas crianças."
Agora no g1
Ela se refere aos seus alunos que morreram no duplo terremoto que sacudiu o norte da Venezuela, no dia 24 de junho.
"Existem pessoas que não entendem meus sentimentos, que perguntam por que ainda me sinto tão mal", ela conta. "No meu status do WhatsApp, coloco minhas crianças, sempre dedico canções a elas."
Madeleine formou uma relação muito próxima com seus alunos.
"Eles me contavam seus problemas, suas metas", segundo ela. "Conversávamos muito, saíamos para comer, eu ia aos seus aniversários."
"As mães que perderam seus filhos me ligam, me escrevem, nós nos consolamos mutuamente."
"Eu digo para elas: 'Não sei como você faz para se levantar todas as manhãs. Se eu me sinto mal, como se sentirá você, que é a mãe?' É uma dor que não consigo descrever porque é imensa e ainda me afeta muito."
"Acontece de eu ir para lugares para me divertir e me sinto culpada porque não quero me sentir bem", lamenta a professora.
O luto da professora que perdeu mais de 200 alunos no duplo terremoto na Venezuela: 'Eram como meus filhos'
